Vamos falar de dinheiro…

By: Ana Cerqueira0 comments

Qual a melhor forma de poupar no crédito habitação??

Nos últimos meses muito se tem falado do crédito habitação jovem. Garantias públicas, facilidades no acesso ao financiamento e novas oportunidades para quem sonha comprar a primeira casa. E isso é, sem dúvida, uma boa notícia para uma geração que enfrenta preços da habitação cada vez mais elevados.

Mas, no meio de tantas discussões sobre entrada, prestações e taxas de juro, há um tema que continua a passar despercebido: o prazo do empréstimo.

O que é mais importante, pagar menos hoje, ou pagar menos no total do crédito?

Quando um jovem procura financiamento, a primeira preocupação é normalmente conseguir uma prestação mensal que caiba no orçamento. É aqui que entra a chamada taxa de esforço, ou seja, a percentagem do rendimento mensal destinada ao pagamento dos créditos. Quanto mais baixa for a prestação, mais fácil será cumprir os critérios exigidos pelos bancos. Mas se eu pago menos hoje, significa que o meu crédito têm um prazo maior, ou seja, mais anos a pagar juros ao banco.

Menos prazo, menos juros: uma lição que vale milhares de euros

Para reduzir a prestação, a solução mais comum é esticar o prazo do empréstimo para 35, 37 ou até 40 anos. À primeira vista parece uma excelente ideia. A prestação desce e sobra mais dinheiro ao final do mês. O problema é que aquilo que se ganha mensalmente pode perder-se, e muito, ao longo da vida do empréstimo. Escolher entre pagar a casa em 40 anos ou 35, pode ser a diferença entre ir para a reforma e continuar a pagar crédito, ou ir para a reforma com a casa paga.

Imagine dois créditos exatamente iguais: o mesmo valor financiado e a mesma taxa de juro. A única diferença é o prazo.

 Quem escolhe pagar a casa em 40 anos acabará por entregar ao banco muito mais dinheiro em juros do que quem opta por um prazo de 30 anos. Em muitos casos, a diferença pode atingir várias dezenas de milhares de euros.

Vamos fazer contas concretas.

Considerando um empréstimo de 200.000 €, com uma taxa fixa de 3,5% ao ano durante todo o contrato e sem incluir seguros, comissões ou outros encargos, o impacto do prazo é bastante significativo. Ao escolher 40 anos em vez de 35 anos, o mutuário poupa cerca de 52€ por mês na prestação, mas oferece ao banco quase 25 mil euros adicionais em juros ao longo do contrato. 52€ por mês é menos um jantar fora por mês, é mais um planeamento corretamente efetuado, é mais uma ida ao supermercado com lista de compras feita corretamente e respeitada. São menos 25 mil euros de juros, é muito dinheiro…

É verdade que nem todos os jovens conseguem suportar uma prestação mais elevada no início da vida profissional.

Mas também é verdade que a situação financeira tende a melhorar com o passar dos anos. Salários mais altos, maior estabilidade e uma gestão financeira mais equilibrada podem criar condições para uma estratégia inteligente: reduzir o prazo do crédito sempre que possível.

Muitas famílias concentram-se exclusivamente na renegociação do Spread ou na procura da taxa de juro mais baixa. São decisões importantes, mas existe uma medida frequentemente esquecida que pode gerar poupanças significativas: amortizar capital ou encurtar o prazo do empréstimo.

Cada ano retirado ao prazo representa menos tempo a pagar juros.

E os juros têm uma característica pouco simpática: acumulam-se durante décadas. Quanto mais cedo se reduz a dívida, menor será a fatura final.

Naturalmente, esta decisão deve ser tomada com prudência. Ninguém deve comprometer a sua qualidade de vida apenas para liquidar o crédito mais depressa. É fundamental manter uma margem de segurança para imprevistos, constituir poupanças e garantir estabilidade financeira. E devem sempre pedir ajuda de um especialista, para o ajudar a avaliar os diferentes cenários.

Prestação mais baixa VS MTIC mais baixo

As simulações bancárias têm uma informação muito importante, o MTIC, ou seja o montante total imputado ao cliente, o valor total pago por mim no final do contrato, não se assustem, mas por vezes dá para pagar duas casas.

Talvez seja útil mudar a forma como olhamos para o crédito habitação. Em vez de perguntar apenas “qual é a prestação mais baixa que consigo obter?”, talvez devêssemos perguntar também “quanto vou pagar ao banco durante toda a vida do empréstimo?”.

A resposta a esta segunda pergunta pode fazer uma diferença enorme. Afinal, comprar casa é provavelmente o maior investimento da vida da maioria das famílias. E, quando falamos de dezenas de milhares de euros em juros, alguns anos a menos no prazo podem valer muito mais do que parecem.

Porque, no crédito habitação, nem sempre a prestação mais baixa é a opção mais barata. E por isso é sempre necessário fazer contas à vida…..

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