Vamos falar de dinheiro….

By: Ana Cerqueira0 comments

Se tem crédito, ou se está a pensar em contrair crédito, é muito importante seguir atentamente as noticias.

Christine Lagarde baixou taxa de juro para 2% e sinalizou de forma muito clara que o BCE está a ficar sem espaço para fazer muitas mais descidas. Não é certo que os juros voltem a cair neste ano.

Como está o preço do dinheiro??

Na última reunião de política monetária em 04 e 05 de junho em Frankfurt, o Banco Central Europeu (BCE) desceu as taxas de juro em 0,25 pontos base, tendo a principal taxa diretora caído para 2%. Esta descida foi a oitava desde que o BCE iniciou este ciclo de cortes em junho de 2024 e, segundo os analistas, deverá ser a última deste ano. A próxima reunião de política monetária do BCE está marcada para 23 e 24 de julho em Frankfurt.

Será possível continuar a descer??

O BCE está “a chegar ao fim do ciclo de política monetária”, afirmou nesta quinta-feira Christine Lagarde, num sinal claro de que a autoridade monetária está a ficar sem espaço para mais descidas de juros. Com a taxa dos depósitos em 2%, é provável, mas não é certo, que as taxas de juro possam descer mais uma vez até ao final do ano.

Após oito cortes consecutivos na taxa de juro, que a levaram do “pico” de 4% para os atuais 2%, a presidente do BCE preparou terreno para que no próximo mês de julho as taxas de juro sejam mantidas no mesmo nível. O BCE “não se compromete com qualquer decisão futura”.

Euribor 3, 6 ou 12 meses??

Com as últimas alterações, a taxa a três meses, que recuou para 2,001%, manteve-se abaixo das taxas a seis (2,054%) e a 12 meses (2,084%). A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, caiu hoje, ao ser fixada em 2,054%, menos 0,002 pontos. Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a abril indicam que a Euribor a seis meses representava 37,61% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável. Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 32,46% e 25,60%, respetivamente. No prazo de 12 meses, a taxa Euribor manteve-se, ao ser fixada de novo em 2,084%, o mesmo valor de sexta-feira. A Euribor a três meses, que esteve abaixo de 2% entre 30 de maio e 12 de junho, recuou hoje para 2,001%, menos 0,003 pontos.

O que dizem os especialistas???

 “O corte da taxa de juro desta quinta-feira não terá sido o último, mesmo que os comentários de Christine Lagarde deem a entender que é limitado o espaço para mais cortes“, afirmou Carsten Brzeski, economista-chefe do banco holandês ING, em nota de análise às decisões do BCE desta quinta-feira. Aliás, “tendo em conta a decisão e o discurso de Lagarde, as revisões em baixa das previsões do BCE para o crescimento e inflação e a reação em alta do euro, há espaço para mais uma descida de taxas, ainda este ano“, complementou Filipe Garcia, economista do IMF – Informação de Mercados Financeiros, em comentários partilhados com o Observador. O especialista prevê, assim, que “o final de ciclo de descidas poderá, mesmo, acontecer nos 1,75%“, ou seja, apenas mais um corte de 25 pontos-base.

Mas afinal o que é a Euribor??

Já debatemos isto em outras edições. As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário. E como tal, quando pedimos um financiamento, cabe-nos ressarcir o banco do custo d seu financiamento e ainda remunera-lo com o spread que nos acresce na prestação.

O que nos reserva o futuro na economia??

Quando o BCE divulgou as projeções macroeconómicas atualizadas, indicou que a inflação poderá baixar até aos 1,6% no próximo ano (o que já ficaria desconfortavelmente abaixo do objetivo de 2%). Uma inflação tão baixa poderia levar o BCE a baixar mais os juros, para tentar estimular o ritmo de subida dos preços – tanto que, nesse momento, os participantes do mercado de taxas de juro tenham passado a assumir uma maior probabilidade de haver não um mas, sim, dois cortes da taxa de juro até ao final do ano.

Assim que Christine Lagarde começou a falar, porém, o cenário inverteu-se rapidamente e os mercados chegaram ao ponto, durante a conferência de imprensa, de nem sequer considerar muito provável que haja uma (única) nova descida dos juros até ao final do ano. Isto porque Lagarde relativizou a previsão de inflação baixa em 2026, atribuindo-a aos preços da energia e à valorização do euro. No final, os mercados recentraram as suas apostas na perspetiva de mais um corte, provavelmente em setembro.

Mas como já dizia um conhecido, “prognósticos só no fim do jogo”, por isso é melhor poupar bem o nosso rendimento, para o financiamento ser o mais baixo possível.

Até para pedir financiamento é preciso fazer contas à vida….

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