Vamos falar de dinheiro…

By: Ana Cerqueira0 comments

Ou melhor, vamos falar do dinheiro que temos de despender para comprar uma casa.

No tempo dos meus avós, as casas eram construídas pelas próprias mãos, recorrendo a ajuda de amigos e pago em feijoadas. Belos tempos, dizia o meu avô. No tempo dos nossos pais, em alguns casos, começou-se a recorrer a crédito, para parte da construção/compra, por um período máximo de 20 anos, a taxa fixa, sendo que nessa altura não existia Euro, logo não existia Euribor. E a vergonha de ter pedido crédito, obrigava a aceitação das condições pelo banco proposta, sem necessidade de regateio.

Hoje em dia as coisas mudaram muito, em 2022, 18,5% da população portuguesa com 18 anos ou mais tinha crédito à habitação permanente. Isso representa aproximadamente 1.638.064 pessoas, é muito crédito.

Mas, como se faz o crédito habitação nos dias de hoje!?

O Crédito Habitação, ou crédito à habitação, é uma forma de financiar a aquisição, construção ou reforma de imóveis para habitação própria ou para arrendamento. É um empréstimo concedido por instituições financeiras (bancos e outras) que permite adquirir ou construir uma casa, pagar as obras, ou até mesmo fazer reformas.

Os bancos e outras instituições concedem um empréstimo com prazos que podem ir até 40 anos para quem tem menos de 30 anos, sendo as simulações apresentadas, sempre pelo prazo máximo de financiamento.

Quanto mais anos demorar a pagar o empréstimo, mais anos o banco está a receber juros.

As taxas de juro podem ser fixas, ou variáveis, ou até mesmo mista, existindo um período do contrato onde a taxa é fixa, seguido do resto do contrato onde a taxa é variável, com um spread indexado a Euribor, dependendo do banco e do tipo de crédito escolhido.

Os bancos costumam financiar entre 80% e 90% do valor de avaliação ou aquisição do imóvel, sendo este ano ao abrigo das novas oportunidades de financiamento para jovens com menos de 35 anos, que estejam a comprar a sua primeira casa, o financiamento pode ser de 100%.

Quanto maior for, o valor do financiamento pedido aos bancos, maior será o valor da prestação de crédito e maior será o montante total de juros pago ao banco.

Esta nova medida do estado, na “ajuda” aos jovens, está a ser um sucesso, com alguns bancos a anunciar que estão prestes a esgotar o plafond de financiamento a 100%.

Mas será esta medida, uma real ajuda para os Jovens??

Estamos a ensinar os nossos jovens, que já não precisam de se preocupar em constituir uma poupança. As férias, já há muito anos, são pagas a crédito, é a máxima de “gozar 7 dias para pagar em 358”. Os telemóveis, são outro exemplo, de facilidade de crédito, quando vamos á loja ver o telemóvel, o preço dele, já está anunciado em prestações, por vezes o prazo do crédito é maior, do que a sua durabilidade. Pois como não custou a comprar, não existe tanto cuidado em não estragar.

Os nossos avós tinham muito mais respeito pelo dinheiro, do que nós. Trabalhavam de sol a sol e poupavam todos os tostões, não existia dinheiro mal gasto.

O custo com o crédito de habitação não termina com o pagamento da prestação, é preciso analisar todos os custos antes da compra.

É geralmente obrigatório contratar seguros de vida, para pagamento do capital em divida ao banco em caso de morte e seguro de casa, para pagamento da sua reconstrução em caso de algum incidente. O prémio destes seguros variam conforme, o valor em divida do crédito, a idade do mutuário e qual o valor determinado pelo avaliador do banco, para reconstrução do imóvel.

A única vantagem, que eu encontro nas novas medidas do Estado, de apoio aos jovens com menos de 35 anos, na compra da sua primeira casa, são a isenção do Imposto de selo da compra e do IMT (imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis). Isso sim é uma ajuda.

Contudo, mesmo com a isenção do imposto de selo sobre a compra, é necessário pagar o imposto de selo do crédito, sendo o financiamento efetuado a 100%, maior é o imposto a pagar.

Mas ainda temos mais custos na compra de casa.

Os bancos podem cobrar comissão de abertura do processo, comissão de avaliação do imóvel, comissão de formalização, entre outras. E ainda é preciso pagar os registos do imóvel e o advogado que fizer a escritura.

Antes de comprar casa, esteja informado de todos os custos, mesmo todos.

É possível simular o seu crédito habitação online, através dos sites dos bancos e de plataformas especializadas, para comparar condições e escolher o produto mais adequado.

Compare as propostas de diferentes bancos: Compare as taxas de juro, os prazos, os seguros, e outras condições. Peça propostas para diferentes prazos de pagamento e compare qual é o MTIC (Montante total imputado ao cliente), quando paga pela casa no final dos 40 anos. Pode ter supressas.

Peça ajuda a um especialista: Um consultor financeiro, um intermediário de crédito, pode ajudar a escolher o crédito mais adequado e a encontrar os melhores apoios.

E lembrem-se um contrato de crédito não precisa de se manter para toda a vida, sempre que o mercado esteja favorável, tente negociar o crédito, procure sempre as melhores condições.

Quando se trata de dinheiro, é sempre preciso fazer as contas à vida…..

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